terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Galo tentará cantar alto na terra da família Chávez

O Galo irá tentar cantar alto no terreiro dos Chávez nesta terça-feira. Desconhecido do torcedor brasileiro, o Zamora é um clube de propriedade da família do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, que morreu no ano passado. Presidido por Adelís Chávez, irmão mais novo do ex-mandatário, a equipe conta com forte apoio estatal.

Patrocinado pela petrolífera PDVSA e por outros bancos estatais, o Zamora sempre teve dinheiro para montar boas equipes. Fundado em 2005 para substituir o antigo Atlético Zamora, o clube teve ascensão meteórica e conquistou o título nacional da temporada 2012/13.
A influência dos Chávez em Barinas, onde o Atlético-MG irá jogar nesta noite é total. Em 1998, Hugo de los Reyes Chávez, pai de Hugo e Adelís, se elegeu governador do estado e ficou no poder por 10 anos. Passou o poder para outro filho seu, Adán Chávez Frías, em eleições fraudulentas segundo os seus opositores.
- Barinas é uma enorme fazenda da família Chávez. Tudo isso apoiado de forma violenta, para silenciar a oposição - conta ao LANCE!Net o opositor Ivan Ballesteros.
Ballesteros é um radialista da Rádio Caracas, que apresenta um programa chamada "Plomo Parejo" ('Chumbo Trocado' na tradução livre para o português).
- Não há como haver oposição em Barinas. Quando ela se levanta, é rapidamente silenciada - continua Ballesteros.
Como é próximo à fronteira com a Colômbia, existe a acusação de que o estado abrigue bases das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Segundo Ballesteros, esse grupo é responsável pelo alto número de desaparecimentos registrados em Barinas.
- Eles agem do lado venezuelano, isso não é segredo. Agem em conjunto com um grupo chamado Guerrilha Bolivariana. Barinas possui uma taxa de desaparecimentos bastante elevada, são 7,2 a cada 100 mil habitantes - diz Ballesteros.
O estádio Agustín Tovar, onde será disputada a partida, também é alvo de críticas. Adelís Sánchez fez parte do Comitê Organizador da Copa América de 2007, e supervisionou as obras de reconstrução da arena. As obras estouraram o orçamento inicial em 15,8 milhões de euros (cerca de R$ 41 milhões em câmbio da época). Dinheiro, evidentemente, estatal.
Mesmo assim estádio foi inaugurado incompleto, tendo recebido apenas uma partida da Copa América, a vitória do Paraguai sobre os Estados Unidos por 3 a 1. Detalhe que este jogo teve de ser disputado na época à tarde, pois a iluminação era um dos ítens em falta. Atualmente o Agustín Tovar já conta com torres de iluminação.
- As obras ficaram a cargo da empresa Procica, que era de dois amigos da família Chávez:Franco Imperatori e Bruno Panato. Eles mesmos se pagavam. A denúncia foi feita na Procuradoria Geral da República, em Caracas, mas as investigações não avançaram - lamenta Ballesteros.
Fonte: Lancenet